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O Atendimento Psicopedagógico

O Atendimento Psicopedagógico

Quem ensina e quem aprende:

Quem ensina e quem aprende:

6 de agosto de 2015

Dificuldades de Aprendizagem-Duas visões psicopedagógicas sobre o fracasso escolar.


Lúcia Gracia Ferreira
Mestranda em Educação e Contemporaneidade pela Universidade do Estado da Bahia-UNEB/Salvador. Especialista em Linguagem: pesquisa e ensino pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia/Campus de Vitória da Conquista. Pedagoga pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia/Campus de Itapetinga




RESUMO
Esse artigo faz uma análise reflexiva de duas visões psicopeddagógicas (social/pedagógica e psicanalítica) sobre o fracasso escolar. Nesta análise, procuramos compreender a aprendizagem e as dificuldades de aprendizagem, esta última é possível causadora do fracasso escolar. Também ressaltamos a importância da abordagem psicopeddagógica para a compreensão do insucesso do aluno na escola, pois esta abordagem se insere na área de estudos responsável pela compreensão das dificuldades de aprendizagem. A partir desse estudo entendemos que a psicopeddagogia dá respostas para alguns problemas que surgem no aluno, durante o processo de aprendizagem, mas que o maior problema está na educação. Portanto, acreditamos que quando houver melhoria na educação, também haverá melhoras no processo de aprender.
Unitermos: Psicologia educacional. Baixo rendimento escolar. Transtornos de aprendizagem.



INTRODUÇÃO
O presente artigo pretende oferecer alguns subsídios para a reflexão de duas visões diferentes e possíveis indicadoras do fracasso escolar. Com o intuito de compreender porque o aluno não aprende, o artigo vem também apresentar uma pesquisa analítica, calcada nos fundamentos de autoras como Maria Lúcia Weiss e Alicia Fernández, visto que estas autoras enfatizam em suas obras os entraves no aprender, como uma causa participante do Fracasso Escolar.
As dificuldades de aprendizagem acabam por provocar o fracasso escolar e, a psicopeddagogia, como abordagem que estuda o processo de aprendizagem, age para a superação dessas dificuldades sob um caráter institucional ou clínico.
O fracasso escolar nos remete a um "olhar atento". Um olhar que procure vislumbrar o sensível que está oculto. Veremos a visão psicanalítica a respeito do fracasso, definida por uma das autoras como sintoma, e diferenciá-la da segunda visão que dá ao fracasso outro conceito.
Falar em fracasso escolar não é muito atraente, mas é uma questão que precisa ser discutida e solucionada. Por isso, esse estudo tem o objetivo de analisar duas visões psicopeddagógicas sobre o fracasso escolar.

ENTENDENDO AS DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM
Faz-se necessário, para se reconhecer em uma criança a dificuldade de aprendizagem, primeiramente entender o que é aprendizagem e quais os fatores que nela interferem. Sisto1 define a aprendizagem como aquisição de uma habilidade ou informação baseada nas estruturas intelectuais existentes.
Pode-se dizer que a aprendizagem é um processo complexo que se realiza no interior do indivíduo e se manifesta em uma mudança de comportamento. Assim, é o desenvolvimento cognitivo que determina a aprendizagem (Paín2). A partir desse conceito, reconhecemos que no processo de aprendizagem:
"o sujeito que não aprende não realiza nenhuma das funções sociais da educação, acusando sem dúvida o fracasso da mesma, mas sucumbindo esse fracasso. A psicopeddagogia, como técnica da condução do processo psicológico da aprendizagem, traz com seu exercício o cumprimento de ambos os fins educativos."
Para a compreensão das Dificuldades de Aprendizagem (DA's), torna-se necessário conhecer a origem dessas, pois este é um fator importante para compreendermos a criança no processo de aprender. Para Fonseca3, dificuldade de aprendizagem é:
"Um termo geral que se refere a um grupo heterogêneo de desordens manifestas por dificuldades significativas na aquisição e utilização da compreensão auditiva, da fala, da leitura, da escrita e do raciocínio matemático. Tais desordens, consideradas intrínsecas ao indivíduo, presumindo-se que sejam devidas a uma disfunção do sistema nervoso central, podem ocorrer durante toda a vida. Problemas de auto-regulação do comportamento, na percepção social e interação social podem existir com as DA's. Apesar das DA's ocorrerem com outras deficiências (por exemplo, deficiência sensorial, deficiência mental, distúrbios socioemocionais) ou com influências extrínsecas (por exemplo, diferenças culturais, insuficiente ou inadequada ou inapropriada instrução, etc.), elas não são o resultado dessas condições."
Por meio desse conceito é possível perceber a complexidade do termo e o vasto campo de atuação das DA's. Essas crescem cada vez mais e absorvem uma diversidade de problemas educacionais e acontecimentos externos.
Sendo as DA's problemas enfrentados pelas crianças no processo de aprender, que podem estar relacionadas à própria dinâmica do comportamento, Sisto1 argumenta que o termo dificuldades de aprendizagem engloba um grupo heterogêneo de transtornos, manifestando-se por meio de atrasos ou certos tipos de dificuldades.
O mesmo autor fala da importância de olhar os aspectos orgânicos, cognitivos, emocionais, sociais, afetivos e pedagógicos, que levam o aluno a não aprender. Segundo ele, os fatores externos e internos são os responsáveis pelas DA's. Ainda para o autor as dificuldades de aprendizagem são vistas pelos pais e professores, no primeiro caso porque são os que convivem constantemente com as crianças, e que tanto um quanto o outro são pessoas que podem dar informações que ajudarão no diagnóstico e no tratamento da mesma.
Segundo Fonseca3, as DA's podem ser primárias ou secundárias: as primárias são as que não têm causa atribuída a elementos psiconeurológicos bem esclarecidos - disfunções cerebrais e, dentro dessas disfunções, teríamos Transtorno da Leitura, Transtorno da Matemática, Transtorno da Expressão Escrita e Transtornos da Linguagem Falada (englobam o Transtorno da Linguagem Expressiva e o Transtorno Misto da Linguagem Receptivo-Expressiva) e, as secundárias, que são originadas de fatores biológicos específicos e alterações comportamentais e emocionais - dentre as alterações biológicas (neurológicas) teríamos as lesões cerebrais, Paralisia Cerebral, Epilepsia e Deficiência Mental. Acrescenta ainda os sistemas sensoriais, através da Deficiência Auditiva, hipoacusia, deficiência visual e ambliopia. Ainda sobre as causas biológicas, as situações de DA são conseqüentes a outros problemas perceptivos que afetam a discriminação, síntese, memória e relação espacial e visualização.
As principais causas das DA's são: causas físicas, sensoriais, neurológicas, intelectuais ou cognitivas, socioeconômicas e emocionais (principal). As DA's levam as crianças a ficarem mais frágeis, tendo um baixo nível de estímulo e confiança, que pode levá-las a falta de motivação, isolamento, crises de angústia, estresse e, até mesmo, à depressão.
Muitas vezes, as DA's são reações incompreendidas de crianças biologicamente (neurologicamente) normais, mas que estão sendo obrigadas a adaptar-se às condições antagônicas das salas de aula. Ainda as DA's têm como ponto desencadeador dois tipos de problemas: o da escola (reativo) e o da criança (sintoma)2,4.

A ABORDAGEM psicopedDAGÓGICA
A psicopeddagogia é a abordagem que investiga e compreende o processo de aprendizagem e a relação que o sujeito aprendente estabelece com a mesma, considerando a interação dos aspectos sociais, culturais e familiares. O psicopeddagogo articula contribuições de áreas como a Psicologia, Pedagogia e Medicina, entre outras, com o objetivo de por à disposição do indivíduo a construção do seu conhecimento e a retomada do seu processo de aprendizagem. E, ainda, busca possibilitar o florescimento de novas necessidades, de modo a provocar o desejo de aprender e não somente uma melhora no rendimento escolar.
Os primeiros Centros psicopeddagógicos originaram-se na Europa, a partir da segunda metade do século XX, e atendiam pessoas que apresentavam DA's, isso pela coerência de conhecimentos pedagógicos e psicanalíticos5.
Nessa época, nos EUA, esse movimento entendia as DA's como sendo de fundo biológico, o que possibilitou o surgimento de muitas definições para distinguir aqueles que aprendiam dos que não aprendiam. E, assim, na Europa teve origem a psicopeddagogia que influenciou a Argentina, que passou a usar a reeducação para cuidar das pessoas portadoras de DA's, sendo que nos EUA o movimento estimulou a Psicologia Escolar.
De acordo com Bossa6, o objeto de estudo da psicopeddagogia é o próprio processo de aprendizagem e seu desenvolvimento normal e patológico em contexto. Estejam estes relacionados com o mundo interno ou externo, sem deixar de lado os aspectos cognitivos, afetivos e sociais que estão envolvidos no processo de aprendizagem.
A autora afirma que o objeto de estudo deve ser entendido a partir de dois enfoques: o enfoque de caráter preventivo, que esclarece sobre as características das diferentes etapas do desenvolvimento e o enfoque de caráter terapêutico, que identifica, analisa e elabora o diagnóstico e tratamento das DA's.
Scoz7 concebe o psicopeddagogo como atuante ora na área clínica, ora na institucional, mas explicita que ambas estão atreladas ao processo de aprendizagem. Nesse sentido, este profissional está ligado historicamente à educação.
Visca8 foi um dos primeiros psicopeddagogos que se preocupou com a epistemologia da psicopeddagogia e propôs estudos baseados no que se chamou de epistemologia convergente, resultado da assimilação recíproca de conhecimentos fundamentados no construtivismo, estruturalismo construtivista e no interacionismo. Esses estudos deram subsídios à psicopeddagogia brasileira.
Hoje, a psicopeddagogia abre caminhos para a articulação de saberes, contribuindo para a educação do Terceiro Milênio, promovendo a uniformidade e a junção dos diferentes conhecimentos sobre o ensinar e o aprender.
Então, a psicopeddagogia surgiu para preencher um espaço vazio deixado pela Psicologia e pela Pedagogia no que tange as suas dificuldades em explicitar questões ligadas à aprendizagem.
É evidente que a Pedagogia, não dando conta da demanda, necessite de um saber articulado à Psicologia, para superação do saber marginalizado - marginalizado porque a sociedade despreza todo saber que não atende a uma determinada norma.

A VISÃO SOCIAL SOBRE O FRACASSO ESCOLAR
Para Weiss9, o não-aprender na escola é uma das causas do fracasso escolar. A autora ressalta que essa questão é também bem mais ampla. Ela considera como fracasso escolar uma resposta insuficiente do aluno a uma exigência ou demanda da escola, e ela estuda a questão por diferentes perspectivas.
A primeira perspectiva é a sociedade, onde levamos em consideração, como agentes influenciadores na educação, a cultura, as condições e relações político-sociais e econômicas vigentes, o tipo de estrutura social, as ideologias dominantes, etc. A sociedade priva muitos aprendentes de aprender, tirando-lhes oportunidades de crescimento cultural, de desenvolvimento da linguagem e da construção cognitiva.
Weiss9 afirma que se priva o aprendente do desenvolvimento da linguagem, priva-o ao mesmo tempo do acesso ao desenvolvimento da leitura e da escrita, e que as condições socioeconômicas e culturais influenciarão nos aspectos físicos de alunos pobres, pois eles estarão expostos a vários tipos de doenças que poderão deixá-los com deficiência na aprendizagem.
A segunda perspectiva é a escola, que contribui e muito para o fracasso escolar de seus alunos. A falta de profissionais qualificados, a carência de material didático, carência na estrutura física e pedagógica, a má qualidade de ensino, tudo isso faz com que a escola seja um agente contribuinte dos problemas de aprendizagem e do fracasso escolar. Mas esse é um problema que precisa da contribuição social e também educacional.
Temos que reconhecer que falta nas escolas o estímulo para ensinar e aprender, e o reconhecimento de que somos todos aprendentes. Que, a cada minuto, todos os indivíduos contribuem para a construção da história geral, da história do seu país, da sua sociedade, da sua escola, da sua família, e principalmente para a história do próprio sujeito. Reconhecemos que todos nós somos capazes de produzir conhecimento, e que a falta de oportunidade para construir feri o ontológico de sermos sujeitos da nossa história.
O saber docente criado pela classe dominante também é um agente que impede o saber aprender, pois muitas vezes quem decide se os saberes do professor valem ou não são grupos distantes do dia-a-dia de sala de aula, ou seja, são "profissionais de gabinete", que mudam constantemente de opinião, provocando, assim, a má condução do processo ensino-aprendizagem. Essas interferências no processo ensino-aprendizagem prejudicam não só o professor, que tem que se adaptar constantemente às mudanças, mas também o aluno, que mesmo sem saber tem que aprender a aprender e aprender a se adaptar aos retoques e acréscimos feitos por esses profissionais. Esses retoques e acréscimos provocam no aluno dificuldades de aprendizagem e, conseqüentemente, o fracasso escolar.
O fracasso escolar é também oriundo da má condução do processo de ensino, pois o processo educativo mal conduzido causa indisciplina. Isto porque, por uma particular situação vincular ou social vivenciada pelo indivíduo, desencadeiam-se processos que levam a indisciplina, principalmente em sala de aula, e a situação vivenciada pode também ter sido provocada pelas carências da escola e pelo professor. A indisciplina é prejudicial ao aluno a ponto de provocar o seu fracasso na escola, pois a disciplina é um agente necessário para a construção do saber.
A terceira perspectiva está ligada ao aluno enquanto aprendente, isto é, às suas condições internas de aprendizagem. A autora nos leva a olhar para os aspectos orgânicos, cognitivos, emocionais, sociais e pedagógicos que levam o aluno a não aprender. Segundo ela, os fatores externos e internos são os responsáveis pelo fracasso escolar.

A VISÃO PSICANALÍTICA SOBRE O FRACASSO ESCOLAR
Na visão psicanalítica de Alícia Fernández4, o indivíduo em processo de aprendizagem que apresenta dificuldades no aprender pode estar desenvolvendo um mecanismo único para suportar as alterações de sua história emocional. Assim, pode-se entender o fracasso como sendo um sintoma escolar (segundo a autora), ou seja, um tipo de obstáculo no aprender que desenvolve uma interseção de aspectos sociais, culturais, familiares, orgânicos, pedagógicos, como também fatores afetivos e intrapsíquicos.
Para Fernández4, no processo de aprendizagem, o sujeito aprendente está em contato com os recursos cognitivos, mas não somente estes, e não somente mentais. Estão em contato também com a sua história afetiva desejante, sua corporeidade, sua estrutura orgânica, suas relações com os colegas e professores.
Para ela, o problema de aprendizagem não se origina na estrutura individual. O sintoma se funde em uma rede particular de vínculos familiares, que se entrecruzam com uma também particular estrutura individual. Esta condição interna de aprendizagem está ligada à história pessoal e familiar do sujeito aprendente. O não aprender por parte do aluno tem a ver com aspectos afetivo-relacionais vivenciados e que afetam a construção do conhecimento.
Para Fernández4, muitas vezes, o fracasso escolar pode intervir como fator desencadeante de um problema de aprendizagem que, de outro modo, não teria aparecido.
Sara Paín2 diferencia problema reativo de aprendizagem de problema de aprendizagem sintoma. As causas do problema reativo de aprendizagem estão na estrutura física da escola, na falta de material didático, na má motivação dos professores em função dos salários e do cansaço físico, na exaustão das crianças que exercem tarefas em casa ou trabalham para ajudar na renda familiar, enfim, numa situação externa aversiva pouco propícia ao estabelecimento de um espaço pedagógico que estimule a vontade de aprender. Trata-se de uma rede de fatores sociopolíticos. Então, problema reativo de aprendizagem é o que decorre de uma reação desmotivadora em relação ao aprender.
Fernández4 salienta que as causas do fracasso escolar não podem ser delegadas exclusivamente a fatores externos ao aprendiz. Trata-se de uma situação na qual o aluno está diante de um espaço físico com certa estrutura e não apresenta problemas orgânicos aflitivos, mas, em função dos obstáculos de caráter afetivo e relacional, a sua dimensão cognitiva (inteligência) é prejudicada, atrapalhada em seu curso, o que faz com que este sujeito apresente DA's ou até mesmo regrida em relação às competências já alcançadas, caracterizando assim o problema "sintoma" de aprendizagem. Vejamos que o problema de aprendizagem sintoma é gerado através da história pessoal do sujeito, geralmente criado pela rede vincular familiar, enquanto que o "reativo" é criado dentro da própria escola.
Fernández4 salienta que:
"(...) o olhar, a escuta e a intervenção psicopeddagógica devem estar direcionados à modalidade de aprendizagem em relação à modalidade de ensino, que surge das posições subjetivas entre o aprendente e o ensinante frente ao conhecimento, no decorrer da construção da história de vida do sujeito no ato de aprender, tendo como finalidade a autoria do pensamento, que é a descoberta da originalidade, da diferença, da marca, e a partir daí, abrir espaços para a criatividade."
Ainda, para a autora4, "o sintoma problema de aprendizagem toma a inteligência como terreno onde o aprender e o pensar estão comprometidos, a inteligência é uma prisioneira muito particular". Assim, entendemos que se não há autoria de pensamento, a aprendizagem fica lenta ou inexistente; aprisiona-se inteligência.
Winnicott10 diz que "há crianças cujo intelecto é impedido pela ansiedade e trabalha em regime de sobrecarga, novamente devido a algumas perturbações emocionais". Fernández4 afirma que "os aspectos de amor e sustentação, ainda que só sejam visíveis quando se colocam como obstáculo, são as condições necessárias para que qualquer aprendizagem seja possível".
Assim, os fatores internos, ou seja, fatores afetivos são os principais responsáveis pelo fracasso escolar, pois estes bloqueiam o aprender.

CONCLUSÃO
Então, fazendo uma análise comparativa entre as autoras, a psicopeddagogia de orientação psicanalítica, segundo Fernández4, é apresentada como alternativa para o entendimento da dimensão afetiva e desejante do sujeito aprendente, e Weiss9 adota a psicopeddagogia de orientação que é mais pedagógica, e que se apresenta como alternativa para entendimento dos fatores externos e internos, que influenciam tanto o sujeito aprendente, quanto o sujeito ensinante. Mas ambas visões apresentam soluções/tratamento para os problemas de aprendizagem e também para o fracasso escolar.
Devemos lembrar que as autoras citam em suas obras o que elas acham que ocasionam o fracasso escolar de acordo com pesquisas psicopeddagógicas, que elas fizeram tanto em seus consultórios, quanto em escolas. Mas isso, na visão psicopeddagógica, é mais psico do que pedagógico.
Talvez se a parte pedagógica das escolas sofresse uma reforma ou fosse ao menos revisada, grande parte dos problemas causadores do fracasso escolar seria resolvida.
Houve, neste estudo, o empenho em delinear uma reflexão analítica de educação que, ao propiciar emancipação subjetiva, promova, concomitantemente, saúde psíquica e física, estando ciente da necessidade de que ela precisa resgatar no aluno o desejo de aprender e de transformar a si e ao mundo.
A educação é importante também para a continuidade na transmissão do saber. A educação em si não é perfeita, como relata Kupfer11 em sua bibliografia, expressando a opinião de Freud - educar é impossível.

REFERÊNCIAS
1. Sisto FF. Dificuldades de aprendizagem. In: Sisto FF, Boruchovitch E, et al. orgs. Dificuldade de aprendizagem no contexto psicopeddagógico. Petrópolis:Vozes;2001.
2. Paín S. Diagnóstico e tratamento dos problemas de aprendizagem. Porto Alegre: Artes Médicas;1985.
3. Fonseca V. Introdução às dificuldades de aprendizagem. 2ª ed. Porto Alegre:Artes Médicas;1995.
4. Fernández A. A inteligência aprisionada: abordagem psicopeddagógica clínica da criança e sua família. Porto Alegre:Artes Médicas; 2001.
5. Mery J. Pedagogia curativa escolar e psicanálise. Porto Alegre:Artes Médicas;1989.
6. Bossa N. A psicopeddagogia no Brasil: contribuições a partir da prática. Porto Alegre: Artes Médicas;2000.
7. Scoz B. psicopeddagogia e realidade escolar, o problema escolar e de aprendizagem. Petrópolis:Vozes;1994.
8. Visca J. Clínica psicopeddagógica: a epistemologia convergente. Porto Alegre: Artes Médicas; 1987.
9. Weiss ML. psicopeddagogia clínica: uma visão diagnóstica dos problemas de aprendizagem escolar. 8ª ed. Porto Alegre: DP&A; 1994.
10. Winnicott DW. Natureza humana. Rio de Janeiro:Imago;1971.
11. Kupfer MC. Freud e a educação: o mestre do impossível. São Paulo:Scipione;2001.